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Decidido a financiar
uma empresa estatal
para produzir os
automóveis que
trafegariam por suas
recém-inauguradas
Autobahns, Hitler
deu sinal verde para
o projeto. Três
opções de
engenheiros lhes
foram oferecidas:
Joseph Ganz, Edmund
Rumpler e Ferdinand
Porsche. Os
primeiros dois eram
judeus, e obviamente
não agradaram
Hitler. Já Porsche
era famoso pelo seu
trabalho na Daimler,
carros que Hitler
gostava, e talvez
mais importante, era
amigo de Jacob
Werlin, amigo e
assessor para
assuntos automotivos
do ditador.
Em meados de 1933
Werlin, que conhecia
Porsche dos tempos
da Daimler-Benz,
intermediou o
encontro de Porsche
com o ditador. Neste
encontro, Hitler
mostrou-se bem
informado sobre os
projetos de Porsche
na NSU e com opinião
formada sobre o
"carro do povo". O
ditador tinha pronto
uma lista de
exigências a serem
cumpridas por
Porsche, caso o
contrato fosse
efetivamente
firmado:
Desenho atribuído a
Hitler, mostrando
sua concepção do
carro popular
alemão. O carro
deveria carregar
dois adultos e três
crianças (uma
família alemã da
época, e Hitler "não
queria separar as
crianças de seus
pais").
Deveria alcançar e
manter a velocidade
média de 100 km/h. O
consumo de
combustível, mesmo
com a exigência
acima, não deveria
passar de 13km/litro
(devido à pouca
disponibilidade de
combustível).
O motor que
executasse estas
tarefas deveria ser
refrigerado à ar,
(pois muitos alemães
não possuíam
garagens com
aquecimento), se
possível à diesel e
na dianteira. O
carro deveria se
capaz de carregar
três soldados e uma
metralhadora. O
preço deveria ser
menor do que mil
marcos imperiais (o
preço de uma boa
motocicleta na
época).
O
ditador solicitou que Porsche
condensasse suas idéias no papel, o
que ele fez em 17 de janeiro de
1934. Ele encaminhou uma cópia a
Hitler e publicou o seu estudo
chamado "Estudo sobre o Desenho e
Construção do Carro Popular Alemão".
Ali Porsche discorreu sobre a
situação do mercado, as necessidades
do povo alemão, sua convicção na
viabilidade de um motor à gasolina e
traseiro (ao contrário do que Hitler
queria) e, principalmente, fez um
estudo comparativo com outros carros
alemães frente ao seu projeto, onde
concluía pela inviabilidade de
vender o carro por menos de 1.500,00
RM. Hitler leu o estudo, mas
manteve-se irredutível quanto à
questão do preço, o que preocupou
Porsche.
Após
alguns discursos sobre o projeto,
Hitler finalmente colocaria a
Associação de Fabricantes de
Automóveis Alemães (RDA, na sigla em
alemão) encarregada da execução do
projeto. Apesar dos temores de
Porsche, Werlin o convenceu a
aceitar a verba de vinte mil marcos
por mês para desenvolver o projeto.
Assim, em 22 de junho de 1934 o
contrato foi assinado, e os
equipamentos foram instalados na
casa de Porsche em Stuttgart. A
equipe de Porsche era liderada por
Karl Rabe, e contava com o designer
Erwin Komenda (responsável pelo
desenho da carroceria), Franz Xaver
Reimspiess (que desenvolveria o
motor final e a logomarca VW),
Joseph Kales, Karl Fröhlich, Josef
Mickl, Josef Zahradnik, e o filho de
Porsche, Ferry.
Os
problemas do projeto
Porém, havia outros problemas além
das exigências de Hitler. Porsche
rapidamente conseguiu a oposição da
RDA, que era a associação de classe
dos fabricantes de carros na
Alemanha, para o projeto do
Volkswagen. Acostumadas com a
produção de carros de luxo, a
associação esperava que o projeto
não seguisse adiante. Por outro
lado, a intervenção governamental
preocupava as empresas que
pretendiam se lançar por conta
própria no mercado de carros
populares - um exemplo era o
executivo da Opel (e ironicamente
futuro presidente da VW) Heinrich
Nordhoff, que defendia que um
automóvel não deveria ser produzido
pelo governo e sim pelos
fabricantes.
Não
bastasse a oposição política, o
FUSCA deveria agora passar pela
aprovação da própria RDA, que iria
custear o projeto (função que Hitler
lhes havia entregue), através de uma
série rigorosa de testes jamais
antes aplicada a carro algum.
As
dificuldades técnicas envolvidas no
projeto não eram menores. Fabricar
um carro pequeno que tivesse o
desempenho e confiabilidade das
especificações era um desafio bem
maior que o projeto de outros carros
da época, e exigia o desenvolvimento
de novas tecnologias e de soluções
inteligentes.
O
motor foi uma dificuldade à parte.
Primeiro, foram tentados motores de
dois e três cilindros, para reduzir
os custos, mas eles não eram
confiáveis e não produziam a
potência necessária para o carro.
Para
economizar espaço pela eliminação do
radiador, optou-se por um motor
refrigerado a ar. Como o motor era
traseiro, havia problemas técnicos
para a tomada de ar para a
refrigeração.
Um
engenheiro da equipe de Porsche
sugeriu usar um motor radial de
cinco cilindros, oriundo do Typ 12
(que tinha avantagem de já estar
pronto). Inicialmente a idéia
pareceu absurda, pois este era um
"motor de avião". No entanto, por
algum tempo, tentou-se esta solução.
Motor aeronáutico desenvolvido pelo
Dr. Porsche, em 1909
A escolha do Finalmente, após
testes com um motor vertical, alguns
horizontais e até alguns dois
tempos, e com os prazos cada vez
mais curtos, Reimpiess desenvolveu
um desenho funcional de um motor
traseiro de quatro cilindros (boxer
oposto dois a dois) refrigerado a
ar. Ironicamente baseado em um motor
de avião desenvolvido pelo próprio
Porsche anos antes (1909), este
motor se provou mais confiável,
silencioso, econômico e barato do
que todos os outros da época.
Denominado E-Motor (o E indicando
quantas tentativas foram feitas até
se chegar ao desenho final), o motor
era basicamente igual ao atual,
salvo pela bomba de combustível
elétrica (substituída pela bomca
mecânica, mais confiável) e pelo
virabriquim em ferro fundido.
A
escolha do motor de quatro cilindros
teve a oposição ferrenha de Heinrich
Nordhoff (então representando a
RDA), mas esta foi a escolha final.
Chapas de metal curvado, encurtando
o capô dianteiro e a traseira
"corcunda" acabaram por dar ao carro
o aspecto característico de
"besouro".
Um
problema com a traseira tão curta
foi obter espaço para o motor. Uma
idéia genial, adotada no Fusca, foi
inclinar o motor levemente para
dentro, o que economizava preciosos
centímetros do capô.
No
mais, a suspensão era resistente,
por barras de torção, e a carroceria
era sólida, o que reforçava a idéia
de um carro popular e durável.
Os
primeiros protótipos
O prazo para desenvolver o projeto
era exíguo, apenas seis meses. Em
dezembro de 1934 o número de
protótipos encomendados passou para
3, de acordo com a filosofia de
Porsche. Embora o prazo fosse curto,
Porsche não queria desagradar
Hitler, e portanto, em 1935, dois
modelos ainda um tanto rústicos
estavam prontos. Com fundo de
madeira e motores dois tempos de
850cc, os modelos eram um sedan de
carroceria fechada - chamado Versuch
1 (V1), ou "Protótipo 1 - e um
conversível, V2, feito para agradar
o Fürer, entusiasta por
conversíveis.
Em 12
de outubro de 1936 os dois
pré-protótipos, mais um com
carroceria em aço (que somado a
outros dois em aço, construídos com
a ajuda da Daimler Benz, formariam a
Série W30) foram entregues à RDA
para os testes (dois dos carros
contavam com o motor que acabaria
sendo escolhido para o Fusca). Em
três meses cada um deles rodou 50
mil quilômetros, enfrentando os
piores terrenos, durante uma rotina
de testes seis dias por semana. Para
satisfação de Porsche, o relatório
final da RDA aprovava o projeto. Os
problemas ficaram apenas no freio,
que ainda era a varão, e o
virabrequim (girabrequim), que
quebrava com freqüência.
Representação da traseira do
protótipo VW30. Observe a ausência
dos pára-choques e da janela
traseira. Os rasgos serviam tanto
como janela quanto como ventilação.
Em
1937 foram produzidos trinta modelos
de uma versão revisada do projeto,
incluindo modificações oriundas da
bateria de testes anterior.
Produzidos pela Daimler-Benz e
financiados pela RDA, essa série
ficou conhecida como VW30, e era
muito semelhante ao produto final,
embora sem janela traseira e sem
pára-choques (nas primeiras fases do
projeto, posteriormente foram
equipados com pára-choques). Eles
foram submetidos a uma bateria de
testes ainda mais dura, chegando os
trinta em conjunto a rodar 2,4
milhões de km nas mãos de membros
das SS, a tropa de elite de Hitler.
1950:
modelo Standard, nunca trazido para
o Brasil. Sem frisos ou cromados,
essa versão é virtualmente idêntica
aos modelos que ficaram prontos em
1938
Após
testes tão completos, a estrutura do
carro ficaria praticamente
concluida. Erwin Komenda pode então
trabalhar na forma final do carro.
Ele fez então uma maquete de
pré-produção, em madeira e tamanho
natural. Dentre as mudanças mais
visíveis estão as janelas traseiras
bi-partidas (incorporadas em 1937
pela Reutter), a tampa do motor e o
capô, e as portas com abertura
normal, além dos estribos (os
modelos de teste ficavam muito sujos
nas estradas mais precárias.
Cerca
de quarenta e quatro modelos em
metal dessa nova série (VW38/39)
foram então fabricados, para altos
executivos e para fins de propaganda
e exibição (ironicamente estes
viriam a ser a maioria dos KdF
feitos). Em 1936-37 Porsche havia
viajado para os EUA, onde pode
acompanhar os processos de
fabricação em série, e trazer de lá
alemães habituados a trabalhar em
Detroid (eles iriam ajudar a
viabilizar a fabricação em massa do
projeto). Com a finalização do
projeto, máquinas e ferramentas
foram também trazidas de lá.
Após a
finalização do projeto, Hitler ficou
temeroso que todas as tribulações do
projeto se tornassem públicas,
manchando a imagem da superioridade
alemã que ele tanto pregava. Assim,
após a certeza de os modelos de
pré-produção (V1, V2, VW 3, VW 30)
não seriam mais necessários, o Fürer
ordenou a destruição de todos eles,
tarefa que ficou novamente à cargo
da SS. Estava assim encerrado o
longo ciclo de projeto do carro,
após quatro anos e milhões de
reichmarks investidos.
Anúncio do sistema de vendas do
KdF-Wagen. "Cinco marcos semanais
você deve separar se em seu próprio
carro quiser passear".
Devido
a um pedido de subsídio que a RDA
fez, e à oposição de Porsche a este
pedido, a RDA acabou rompendo com o
projeto do Volkswagen. Porsche
estava convencido que com um bem
planejado sistema de produção em
massa poderia construir o carro ao
preço sugerido e sem o subsídio.
Foi
fundado então já em 1937 a
Gesellschaft Zur Vorbereitung des
Deutschen Volkswagen, GmbH
(GeZuVor), ou, em uma tradução
livre, "O Grupo Planejando o Carro
do Povo Alemão Ltda", ficando
responsável pela produção do carro.
O GeZuVor era parte integrante do
Deutsches Arbeiter Front (DAF), ou
"Frente de Trabalhadores Alemães",
que era uma organização custeada por
contribuições dos trabalhadores. Uma
outra seção chamada "Kraft durch
Freude", (ou KdF), "Força pela
Alegria" ficou responsável pelo
sistema de vendas do carro.
O
carro foi batizado oficialmente de
KdF-wagen, e a KdF decidiu que cada
carro seria vendido por um sistema
em que o interessado deveria pagar 5
marcos por semana e tomar posse do
carro apenas depois de completar os
pagamentos (parecido com o
"consórcio" que existe no Brasil).
Apesar de não saberem exatamente
quando o carro ficaria pronto, cerca
de 175 mil alemães aderiram ao
plano.
Em 26
de maio de 1938 foi colocada a pedra
basilar da fábrica, com a presença
do próprio Hitler. Mais de setenta
mil pessoas participaram da
solenidade. O evento teve pesada
cobertura da mídia alemã, gerando
alguma repercussão internacional,
idéia do próprio Hitler, que
pretendia exportar o carro para
vários países.
Em 15
de agosto de 1940 o primeiro KdF
Wagen deixou oficialmente a linha de
produção, agora com nome interno "VW
Typ 1". Era azul escuro/acizentado,
assim como seriam todos os KdF
vendidos. Entretanto, até 1944
apenas 640 deles seriam produzidos,
e nenhum chegaria às mãos dos que
aderiram ao plano dos 5 marcos.
Todos seriam distribuídos entre a
elite do partido nazista.
A
Volkswagen na Segunda Guerra Mundial
No entanto, em 1939, com a
inevitável eclosão de uma guerra na
Europa, todos os recursos
disponíveis foram destinados ao
esforço de guerra alemão. A
Volkswagen, anteriormente um grande
instrumento de propaganda da
capacidade tecnológica alemã, foi
rapidamente integrada às ambições
militares de Hitler. A produção foi
interrompida após fabricação de
poucas unidades, e a fábrica foi
dedicada a produzir veículos de
guerra baseados na plataforma do
FUSCA - usos previstos por Porsche,
em seu projeto de carroceria
separada do chassis, e pelo próprio
Hitler, que tinha este uso em mente
por trás da própria iniciativa em
financiar todo o projeto.
Prisioneiros de guerra franceses e
russos foram utilizados como mão de
obra, atitude que levaria a prisão
de Porsche na França,
posteriormente.
Os
veículos produzidos nesta época
foram: Kübelwagen - Versão alemã do
futuro jipe americano, era
basicamente um FUSCA com carroceria
angulosa e aberta. Seu nome
significa "carro caixote", uma
alusão aos bancos simples dos
primeiros protótipos do jipe
("Kübelsitzwagen", "carro com
assentos de caixote", typ 62). Foram
desenvolvidas versões 4x2 e algumas
poucas 4x4, e sua produção se
estendendeu até pouco depois da
guerra. Cerca de 52.000,00 unidades
do typ 82 foram produzidas.
Schiwimmwagen - Como indica seu nome
(carro nadador), era um carro
anfíbio, baseado no Kübelwagen 4x4.
Cerca de 14.000,00 unidades
poduzidas.
Kommandeurwagen - Carro utilizado
pelos oficiais na África e partes da
Europa, era basicamente um
Kübelwagen 4x4 com a carroceria
arredondada do FUSCA de uso civil.
Existiu nas versões "typ 82", "83" e
"87". 669 unidades produzidas.
Além
destes veículos algumas versões
civis chegaram a ser produzidas,
além de alguns veículos pitorescos,
como a versão "Holzbrenner" do
Fusca, movida à pirólise de madeira.
A Volkswagen em si também esteve
envolvida com projetos mais
sinistros, como a bomba V2.
Retomada da produção no pós-guerra
Após a guerra, a Alemanha foi
dividida em zonas que ficaram sob
controle dos aliados. A zona em que
ficava a fábrica do Volkswagen,
complexo chamado de "Cidade KdF",
rebatizada após a guerra de
Wolfsburg, ficou na zona controlada
pelos britânicos. O comando da
fábrica ficou nas mãos do Major Ivan
Hirst, que se tornaria um apaixonado
pelo Fusca.
Os
britânicos, sem saberem exatamente o
que fazer com a fábrica, acabaram
por reativar a produção em agosto de
1945, para produzir carros para as
forças de ocupação e para o serviço
público alemão. Apesar dos intensos
bombardeios sofridos pela fábrica
durante a guerra, grande parte das
ferramentas haviam sido movidas para
os porões, tornando a retomada da
produção algo relativamente simples.
No
entanto, os britânicos não desejavam
administrar para sempre a fábrica e
tinham de encontrar uma forma de
passá-la para o governo alemão. A
solução foi chamar o antigo
dirigente da RDA, e inimigo do FUSCA
nos seus primórdios, Heinz Nordhoff,
para assumir a fábrica. Fê-lo em
janeiro de 1948, com carta branca do
Major Hirst, e ficou no cargo até
sua morte em abril de 1968.
"Der
Weltmeister", o FUSCA que quebrou o
recorde de produção do Ford T. Logo
Nordhoff percebeu que a única forma
de expandir a fábrica, e gerar
importantes empregos para os alemães
no pós-guerra, era exportar os
Fuscas, particularmente para os
Estados Unidos.
Nos
Estados Unidos os Fuscas se tornaram
uma paixão, mesmo sem muita
propaganda, que era feita da boca
para o ouvido, entre os apaixonados
pelo "carrinho".
O
sucesso e o fim da produção
A icônica janela bi-partida,
introduzida em 1938, que se tornaria
um dos símbolos do carro (na foto um
modelo 1949).
O
FUSCA não foi sempre o mais barato
dos carros, como pode-se pensar à
princípio, e de fato vendeu pouco
nos primeiros anos de
importação/produção na mairia dos
diversos países onde a Volks se
instalou. Em 1949, por exemplo, a
Volks firmou um acordo com a
americana Chrysler para usar a rede
de concessionárias desta última para
vender o Fusca. No ano inteiro
apenas dois carros foram vendidos
nos EUA.
As
razões para esse início tímido
variam. Alguns países tinham um
embargo contra produtos alemães (uma
fábrica na Irlanda foi construída
para contornar esta situação), e a
moeda, que até 1948 era o Reichmark,
atrapalhava um pouco a economia e,
por tabela, a fábrica. Sem a
vantagem de uma produção em larga
escala o custo do carro não seria
viável. E, além disso, os
consumidores estavam acostumados a
diferentes paradigmas de produção, e
estranhavam muito a configuração
incomum do carro, com seu motor
traseiro e sua forma arredondada,
sem radiador.
Mas
logo que as dificuldades econômicas
foram superadas, rapidamente a fama
de "indestrutível" do carro começou
a se disseminar, ajudada pela
mecânica simples (menos coisas para
dar errado), pelo oferta e esquema
de distribuição de peças
sobressalentes e, principalmente,
pelo marketing da Volks, que soube
capitalizar sobre a resistência do
carro.
Logo o
FUSCA dominou sua fatia de mercado
na maioria dos lugares onde foi
lançado, ajudado pela precariedade
dos concorrentes diretos e pelo boom
de crescimento dos países vitoriosos
na II Guerra (principalmente EUA). A
Volks aproveitou para expandir a
linha de veículos (todos ainda à
ar), como a Kombi, o Karmann Ghia,
etc.
O
modelo mais clássico: FUSCA 1969
(com pneus de faixa branca e
acessórios cromados).
O
sucesso do FUSCA evidentemente
colocou a Volkswagen em posição
privilegiada. Entretanto esta
posição era frágil, uma vez que
estava largamente baseada apenas em
um carro - e qualquer decisão errada
feita no modelo poderia levar ao
colapso da firma inteira.
Isso
acabou impedindo a Volks de realizar
qualquer mudança radical no carro -
não que ela não tenha tentado.
Vários protótipos chegaram a ser
testados - veja o EA 97/1, uma clara
tentativa de atualizar o carro.
Outros protótipos visando substituir
o carro foram criados, e alguns
ganharam as ruas como modelos de
produção paralelos ao FUSCA - caso
da Brasília brasileira, por exemplo.
Porém nenhum conseguiu suplantar o
FUSCA inteiramente (a Brasília
chegaria a fazê-lo, mas já no final
do ciclo da linha à ar). A
popularidade do FUSCA só aumentava,
e em 1973 ocorreu o auge da
popularidade e produção, com 1,25
milhão unidades produzidas no ano.
O
último Fusca, no museu da Volkswagen
Entretanto, o fim da linha já estava
à caminho desde a década de 60. Com
as vendas de sua frota à ar a Volks
pode comprar a rival Auto Union,
proprietária de quatro famosas
marcas alemãs - DKW, Audi, Horch e
NSU. Mas a razão real da compra era
o extenso know-how em motores à água
dessas firmas. Embora timidamente à
princípio (o primeiro Volks à água,
o K70, foi um fracasso), a linha à
água da Volks começou a se
estabelecer em 1973, com o
lançamento do Passat. Se a idade do
projeto já começava a gerar dúvidas,
a aposta da própria Volks só serviu
para ressaltar ainda mais a
obsolência do carro. Já na década de
70 a produção começou a cair, sendo
encerrada na década de 80 em todo o
mundo - menos no México, onde sua
aceitação entre os taxistas deu-lhe
uma sobrevida surpreendente,
semelhante ao que aconteceu no
Brasil com o Santana. Porém, novas
leis de emissão mexicanas decretaram
o fim do carro em 2003, e o último
carro foi imediatamente mandado para
o museu em Wolfsburg.
No
geral, o multiuso e indestrutível
projeto de Porsche, as
peculiaridades da economia do pós
guerra, o sucesso das iniciativas de
Nordhoff, incluindo peças de
publicidade criativas e divertidas,
somado ao charme do "carrinho",
acabaram tornando o "Fusca" o carro
mais popular da história do
automobilismo, superando em 1972 o
recorde do Ford modelo T, ao
comemorar a produção de 15.007.034
unidades. Com um número final
recorde de 21.529.464 "Fuscas"
produzidos no total (não contando os
outros modelos à ar ou o New
Beetle), o FUSCA é o modelo de carro
mais vendido mantendo basicamente o
mesmo projeto (se for considerado
apenas as vendas por marca, o nome
Corolla já vendeu mais de 30 milhões
de carros, de várias "gerações"
diferentes).
Independente das vendas, o FUSCA
está se tornando aos poucos um
clássico, com modelos mais antigos
inflacionando rapidamente (um modelo
1951 pode chegar a mais de R$
20.000,00 no Brasil).
No
Brasil
O primeiro Volkswagen brasileiro foi
lançado em 1959, obedecendo, com
poucas modificações, ao do projeto
de Ferdinand Porsche, lançado na
Alemanha vinte anos antes. A origem
do nome FUSCA está relacionada com a
pronúncia alemã da palavra
Volkswagen. O nome da letra V em
alemão é "fau" e o W é "vê". Ao
abreviar a palavra Volkswagen para
VW, os alemães falavam "fauvê". Logo
que o FUSCA foi lançado na Alemanha,
ficou comum a frase "Isto é um VW"
("Das ist ein VW"). A abreviação
alemã "fauvê" logo se transforma em
"fulque" e "fulca". "Desde que
começaram a circular os primeiros
Volkswagens, em 1950. também
apareceu a corruptela da palavra
Volkswagen passando pela influência
da colônia alemã",-- explica
Alexander Gromow para o Jornal do
Brasil de 7 de agosto de 1993 - "Em
Curitiba se fala "fuqui" ou "fuque"
e em Porto Alegre é "fuca",
acrescenta Gromow. "Mas em São
Paulo, talvez por uma questão de
fonética, acrescentaram o "S" na
palavra e o Volkswagen virou Fusca."
A partir de 1950, o FUSCA começou a
ser vendido no Brasil. Chegando pelo
porto de Santos, as 30 primeiras
unidades foram logo vendidas (a
família Matarazo foi uma das
primeiras a comprar). O carro vinha
desmontado da Alemanha (ou em kits
"CKD", "Completely Knocked Down"), e
curiosamente não era montado pela
Volkswagen - a empresa ainda não
havia se instalado no Brasil, e a
empresa responsável pela montagem
era a Brasmotor (mesmo grupo dono da
Brastemp, por exemplo). O modelo
importado era o conhecido "Split
Window", com vidro traseiro dividido
em dois, modelo Export (havia o
Standard, mais simples, nunca
trazido para o Brasil).
Em
1953 o FUSCA deixou de ser montado
pela Brasmotor e a Volkswagem
assumiu a montagem do carro no
Brasil, com peças vindas da Alemanha
até 1959. O modelo produzido já era
o que tinha janela traseira oval.
Em
1959 o FUSCA passou a ser
oficialmente produzido no país,
embora parte das suas peças ainda
fosse importada. A janela traseira
passou a ser retangular neste
modelo.
Em
1960 a fábrica alterou o volante. As
maçanetas externas ganharam botão de
acionamento e o estribo ganhou
revestimento na cor do carro.
Em
1961 o carro passou a ter caixa de
marchas sincronizada (para resolver
o problema das "arranhadas"), além
de ganhar nova lanterna traseira (o
modelo oval, que durou até os anos
70), e o painel ganhou uma alça de
segurança para o passageiro.
Em
1962 o FUSCA passou a ter chassi
nacional, faróis com luzes
assimétricas, gancho cabide e
reservatórido de fluído de freio de
plástico. Em 1963 o carro ganhou
novo descanço de braço, lavador de
párabrisas pneumático e janelas
traseiras basculantes. O FUSCA
ganhou também amortecedor de
direção. Em 1964 o FUSCA passou a
vir com novo tanque de combustível.
1965
foi o ano do lançamento do FUSCA com
teto-solar, que ficou conhecido como
"Cornowagen" - logo o acessório foi
rejeitado, e muitos proprietários
incomodados com o apelido mandaram
fechar o teto. Houve também mudanças
nas lanternas e na luz de placa. Em
1966 houve mudanças na caixa de
marcha e no distribuidor.
Em
1967, a Volkswagen adotou um motor
de 1.3 de 46cv no lugar do antigo
1.2, de 36cv. Nas propagandas,
apareciam os carros com uma cauda de
tigrre saindo da traseira em alusão
a maior potência. O vidro traseiro
ficou maior e o acionamento da seta
foi para a coluna de direção. Foi
também o fim do sistema elétrico de
6 volts para a chegada do de 12v.
Vale notar que foi durante esta
época que o fusca sedimentou a
Volkswagen no mercado nacional,
permitindo o lançamento de vários
derivados no mercado nacional, tais
como o Vw 1600, o TL, a Variant, o
Karmann Ghia TC, o SP2, a Variant
II, o Brasília e o Gol
Em
1969, novos bancos e espelhos
retrovisores.
Em
1970 chegou o novo motor 1.5 litros
de 52cv. Ocorreram mudanças na tampa
do motor, tampa do porta-malas e
pára-choques.
A
partir de 1973 o carro passou a
contar com uma entrada de ar no
caput dianteiro, que chegava ao
interior do carro através do painel
e saía por aberturas atrás dos
vidros laterais traseiros, as
populares "orelinhas". Muitos pensam
que sua função é ventilar o interior
do carro quando, na verdade, é o
inverso. As janelas laterais
traseiras passam a ser fixas. Também
são apresentados novos faróis e
distribuidor à vácuo. O FUSCA 1500
durou de 1970 até 1975.
Em
197r4 foi introduzido o "Bizorrão"
ou "Super-Fuscão", o FUSCA 1600-S
com carburação dupla, que
desenvolvia 65 cv SAE, tinha volante
de direção esportiva de três raios,
rodas aro 14 e painel com marcador
de temperatura, relógio e
amperímetro.
Em
1975 sai a nova versão 1.300L.
Em 1977, o FUSCA apareceu com
mudanças estruturais, comando do
limpador de parabrisas na chave de
seta e barra de direção retrátil,
que protege o motorista em caso de
choque frontal.
Em
1978 ocorreu uma mudança no bocal do
tanque, que passou para a lateral
direita do carro. O interruptor do
pisca-alerta foi transferido para a
coluna de direção e foi adotada uma
chave única para portas, capô do
motor e ignição.
Em
1979, houve uma alteração no modelo
e as lanternas traseiras passam a
ser maiores, e passam a ser chamadas
"Fafá", em alusão aos grandes seios
da cantora Fafá de Belém. Em 1982
foi lançado o FUSCA 1.300 com motor
a álcool. O FUSCA ganha novo painel,
com instrumentos quadrados. Em 1983,
a empresa resolveu rebatizar o
modelo no Brasil, adotando o nome
que se tornara popular, Fusca. Até
então o automóvel era oficialmente
denominado VW Sedan nos registros
dos Detrans.
Em
1984 o motor 1.300 deixou de ser
produzido. Agora passa a equipá-lo o
novo motor 1.600, mais moderno e o
carro passa a contar também com
freios a disco na dianteira, mais
eficientes.
Em
1986 a Volkswagen desistiu de
fabricá-lo, alegando que era um
modelo muito obsoleto, apesar do
carrinho ser o 2° carro mais vendido
daquela época, atrás apenas do
Chevrolet Monza e de ter fôlego o
suficiente para permanecer mais uns
bons anos no mercado. O real fato é
que a Volkswagen queria abrir espaço
para a Família BX, composta por Gol,
Parati e Voyage.
Em
1993, por sugestão do então
presidente Itamar Franco a empresa
voltou a fabricar o modelo. Itamar
queria a fabricação de carros
populares, e sugeriu que o Brasil
precisava de um carro como o Fusca.
Foi aprovada, então a Lei do carro
popular, que previa isenções e
diminuições de impostos para os
carros com motor 1.0, e o FUSCA e o
Chevrolet Chevette L, embora
tivessem motores de 1.6l, foram
incluídos.
O carro vendeu bem, mas longe da
meta esperada pela Volkswagen. A
principal razão para que o FUSCA não
vendesse tão bem se deve ao fato de
seu acabamento espartano demais
diante dos concorrentes surgidos em
meados da década de 90, como o Fiatr
Uno Mille e Chevrolet Corsa de
primeira geração, que tinham preços
muito próximos do velho Besouro,
porém, com acabamento e equipamentos
bem melhores que os do Fusca.
Em
1996, a empresa deixou de produzir
novamente o carro, com uma série
especial denominada Série Ouro. A
partir daí, ele só seria produzido
no méxico.
No período entre 1993 a 1996 foram
produzidos no Brasil apenas 40.000
Fuscas, aproximadamente.
Até
hoje (2006) o FUSCA permanece com um
dos carros usados mais vendidos no
mercado nacional.
As
modificações
A versatilidade da mecânica do FUSCA
garantiu o mercado de modificações,
seja as "oficiais" (vide o Porsche
356), seja as caseiras (Baja,
gaiolas, triciclos). Na verdade, o
FUSCA já foi transformado em quase
tudo, desde aviões (modelos
experimentais), motos (a Amazonas
1600 do Brasil), barcos (pequenos
barcos de madeira com um motor boxer
adaptado, ou mesmo o carro inteiro
impermeabilizado), e até mesmo
bombas d'água ou geradores.
Dada a
popularidade do Fusca, o fim de sua
produção não significará o fim da
disponibilidade de carros para
modificar tão cedo. Embora não tão
populares quanto a alguns anos, as
transformações ainda ocorrem, e com
o inevitável envelhecimento da frota
disponível, parece a única solução
para muitos carros quase sucateados.
Curiosidades
Observe que todas as placas dos
primeiros modelos começavam com as
letras IIIA. Essas letras eram na
verdade o prefixo para todos os
carros registrados na região de
Stuttgart entre 1906 e 1945.
Atualmente um bom exemplo é o
prefixo WOB, utilizado nos carros de
Wolfsburg, e o prefixo S, para a
atual Stuttgart.
A
Volkswagen possui o protótipo NSU 32
em seu museu, mas os protótipos VW 3
e VW 30, mais recentes, são
réplicas, uma vez que nenhum deles
sobreviveu a guerra.
O
desenho das primeiras Kombis foi
pensado para se adequar à linha VW
existente na época - ou seja, o
Fusca. Pode-se preceber claramente a
inspiração no desenho da dianteira,
nas linhas que seguem das janelas
para se encontrar entre os farois,
como se fosse o capô do Fusca.
A
Tatra, fabricante tcheca dos T77 e
T87, vinha desenvolvendo carros
semelhantes ao FUSCA desde 1932
(protótipo V570). Hitler era um
admirador dos velozes carros, e
certa vez comentou: "estes são os
carros para minhas autobahns.
Coincidentemente ou não Porsche
conhecia Hanz Ledwinka, o projetista
dos Tatras. O fato é que durante a
guerra a Tatra foi forçada a
desistir do projeto T97
(praticamente igual ao protótipo VW
30). Após a guerra, a Tatra
processou a Volkswagen por quebra de
patente. A questão foi resolvida
fora dos tribunais em 1961, com uma
cifra que acabou prejudicando os
investimentos na renovação do FUSCA
durante a década seguinte.
Existiram cerca de 38 protótipos até
a conclusão do projeto - um V1, um
V2, três VW3, trinta VW30 e três
VW38 de madeira. O número não é
exato, entretanto, devido ao fato de
alguns Versuch (V1 e V2) terem sido
aproveitados na construção dos VW3,
e de igual maneira alguns (senão
todos) VW3 terem se tornado VW30.
Todos eles foram destruídos
Deles só restaram desenhos e fotos,
para a tristeza dos entusiastas.
Entretanto, a Volkswagen encomendou
ao restaurador Werner Zinke réplicas
dos modelos VW3 (1998) e VW30
(2000), que hoje se encontram no seu
devido lugar, o Museu Volkswagen.
Conta-se que, por ocasião dos
cinqüenta anos da Volks (1938-1998),
a idéia da diretoria era construir
uma réplica do V1, mas acabou
encomendando o VW3, ao custo
aproximado de DM 300.000,00!
O
FUSCA gerou, pouco tempo depois do
início efetivo de sua produção,
algumas variantes curiosas, como
pick-ups e furgões. Mas as
adaptações feitas por firmas
independentes já desde aquela época
transformavam o carro em modelos
mais luxuosos, como roadsters (o
famoso Hebmüller) e mesmo sedans (coupé
Stoll).
Ligações externas
Volkswagen Brasil
Fusca nas corridas brasileiras
Clube do FUSCA de Poços de Caldas -
MG
Fusca Brasil
Fusca Clube
Clube Carocha da Madeira
Clube "Fanáticos da Carocha"
Confraria do FUSCA - Florianópolis,
SC
Artigo em português sobre os
primeiros protótipos
Artigo em inglês sobre as origens do
projeto
1° capítulo de um livro sobre o
Fusca
Artigo em português
Artigo em inglês sobre a história da
Volkswagen
Artigo em português com a linha do
tempo do Fusca
Fotos e dados do protótipo VW 30 (em
alemão)
Foto da reconstrução do modelo VW30
Site com a história da construção do
VW 30
Matéria e fotos extraídas do site
www.tiosam.com,
alguns
textos podem ter sido modificados
por nossa equipe.
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